Muitas vezes, o médium no fenômeno anímico, assemelha-se a um processo mediúnico, aparentando a interferência de um Espírito, mas realmente é o desajuste de seu mundo subconsciencial. Segundo PERALVA (1971, p.186) ” o animismo é o fenômeno pelo qual a pessoa arroja ao passado os próprios sentimentos, de onde recolhe as impressões de que se vê possuida.” O médium desajustado reviverá cenas e acontecimentos, tornando o fenômeno como se fosse mediúnico.

De acordo com este autor, desta forma o animismo pode ser visto como a representação de fatos atuais ou passados, arquivados no inconsciente do médium para o seu consciente. Como Espíritos imortais em trajetória evolutiva, alternando encarnações, assimilando diversos hábitos e emoções, é natural que fiquem os seus registros na memória do próprio Espírito.
Quando acontece uma indução atavés de um estímulo, gera-se uma ponte inconsciente/consciente, externando com aparência de realidade, aquilo que foi vivido.
Conforme sustenta XAVIER (1990), o médium aprendiz inclinado ao animismo, deverá ser reajustado pacientemente, exigindo uma reforma moral e cultural, para assegurar a renovação íntima.
Nesse contexto, encontramos pessoas em reuniões mediúnicas, vítimas de desajustes em que o anímico , vem explicar uma personalidade adormecida, entando em conflito com a realidade.
Ainda segundo PERALVA (1971), nos grupos mediúnicos há que se fazer distinção nos fenômenos psíquicos, fatos anímicos e fatos espiríticos. Fatos anímicos são aqueles, que o médium sem mistificações, traz impressões do passado e transmite como se um Espírito estivesse na comunicação. Fatos espiríticos ou mediúnicos são aqueles, que o médium torna-se veículo na transmissão de idéias dos Espíritos desencarnados.
A repeito MIRANDA (1995), afirma que na prática mediúnica, o animismo vai se revelar sob dois pontos distintos: a alma do médium se comunicando, que é mais comum, ou ela introduzindo suas próprias idéias nas mensagens. O problema, nas comunicações do médium, que utiliza a sua própria equipagem medianímica (potencial mediúnico, faculdade do organismo do médium), não ficou esquecida por KARDC (2002). As orientações dos espíritos, demonstram o assunto dentro da normalidade, chegando a afirmar que alguns conteúdos de comunicações produzidas por médiuns, sem o concurso dos Espíritos, podem ser superiores, dependendo do grau de evolução de uns e de outros.
Dessa maneira, conforme MIRANDA (1995), o fato anímico nem sempre vai revelar qualidades adormecidas ou ocorrências do cotidiano, mas podem projetar traumas, manifestções fóbicas, enfim expressões de desajustes do médium.
Além disso, soma-se a esse fato as manifestações mistas, ou parcialmente anÍmicas, quando o médium não consegue uma interação completa, introduz suas próprias idéias e automatismos da personalidade.

Um grande problema é a falta de afinidade vibratória entre o médium e o Espírito, necessárias e indispensáveis para que o fenômeno mediúnico se processe. Este assunto é tratado por KARDEC (Livro dos Médiuns, item 223, pergunta 7):” O Espírito encarnado no médium exerce alguma influência sobre as comunicações que deva transmitir provindas de outros Espíritos? Exerce, porquanto se estes não lhe são simpáticos pode ele alterar-lhes as respostas e assimilá-las às suas próprias idéias e pendores.” (p.270) Esta simpatia não é só afinidade psicológica e afetiva, mas sobretudo da ” …organização perispiritual que determinam a sintonia vibratória responsável pelo fenômeno mediúnico.” (MIRANDA, 1995 p. 86)

De outras vezes, há um mecanismo de ssociação de idéias, em que o médium decodifica as mensagens e registra pensamentos, por meio de associações anímicas, peculiares às suas experiências vividas. Outrossim, há momentos de interferências anímicas quando provocadas por interrupção de sintonia. Para se compreender melhor o problema do animismo, faz-se necessário, melhor entendimento do papel do médium nas comunicações. Sabendo-se que ele é o intérprete, não somente repetindo-as, mas absorvendo as idéias em seu íntimo e devolvendo-as representadas por seu estilo, vocabulário, emoções e acervo cultural.

O autor afirma, que é comum no início do exercício mediúnico, os médiuns não saberem determinar corretamente, a fronteira entre o seu próprio pensamento e dos comunicantes, provocando insegurança. Sendo assim, torna-se necessário, para se alcançar o estado mediúnico transitar pelo anímico. ” Espera-se que os médiuns atuantes compreendam sem demora este processo de transitar do anímico para o mediúnico, desemperrando as engrenagens medianímicas pelo exercício disciplinado e constante…” (MIRANDA, 1995 p. 92)

Alguns obstáculos aparecem e traduzem-se na comunicação mediúnica, em função do desequilíbrio emocional do médium, provocando um animismo-desajuste. Daí a necessidade de uma vivência espírita, no que diz respeito, a hábitos salutares e a um comprometimento que vão sensibilizar, evitando os chamados ruídos na comunicação mediúnica.

Para TEIXEIRA (1995) todo fenômeno mediúnico sofre a presença do fator anímico, pois o comunicante espiritual utiliza os elementos biológicos, psicológicos e culturais do médium. No campo mediúnico, a mensagem transmitida sempre apresentará os recursos psíquicos e culturais do médium e por esta razão, o exercício sistemático de esclarecimento e os valores morais contribuirão para o êxito da atividade mediúnica.

Quando o médium empresta os órgãos físicos, este intercâmbio se dará através de suas potencialidades, mas ao atingir a área mediúnica intelectual, estabelece-se um conflito, sobre até que ponto o anímico vai alterar a mensagem sutil, telepática de mente a mente.

REFERÊNCIAS

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos, 83 ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira – FEB, 2002

O Livro dos Médiuns, 71 ed. Brsília: Fedração Espírita Brasileira – FEB, 2003

MIRANDA, M. P. Vivência Mediúnica -Projeto, Salvador: Livraria Espírita Alvorada, 1995

PERALVA, M. Estudando a Mediunidade, 5 ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira – FEB, 1971

TEIXEIRA, J. R. Correnteza de Luz, (pelo espírito Camilo). Psicografado pelo médium J. Raul Teixeira. Rio de Janeiro: Fráter, 1995

XAVIER, F. C. Mecanismos da Mediunidade, (pelo espírito André Luiz). Psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier. 11 ed. Distrito Federal: Federação Espírita Brasileira – FEB, 1990

REGINA MARIA PEREIRA AUST
TEÓLOGA graduada pela Faculdade Doutor Leocádio
José Correia (FALEC)

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