Espiritismo


Para os interessados em aprender sempre!

Sobre o Curso de Teologia Espírita na

Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC) Curitiba PR

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O mediunato espírita que é o exercício da mediunidade, deverá ser sempre uma vivência coerente. O exercitando neste aprender faz conhecimento e altera comportamento. Na consciência assume a postura com responsabilidade das funções de agente mediúnico.

Este compromisso com a Doutrina envolve a sua vida, a vida cultural do seu povo e a humanidade. Mediunato é um processo de aprender num padrão relativo aos princípios doutrinários.

Sendo assim, é um compromisso de revisitação de conceitos e de atitude transdisciplinar. O conhecimento é adquirido pelo espírito no seu cotidiano, na sua trajetória. Este processo nunca estará completo, pois o novo ajudará no enfrentamento de novos desafios, esta é a evolução.

O homem produz transformações nos seus diversos contextos simultaneamente, alterando, desdobrando e pelo conhecimento administra, faz auto-controle, auto-confiança e auto-disciplina. Este conhecimento é vivo, reação de dentro para fora, transforma a realidade pela vontade na busca do equilíbrio.

O homem integral está em permanente aperfeiçoamento intelectual e moral, é dinâmico para vir a ser através de pensamentos, palavras, sentimentos e ação, num padrão cósmico.

As leis existentes na Criação, observadas e assimiladas, fazem o homem integral buscar o equilíbrio físico, mental e espiritual. O conhecimento é ampliado havendo a conscientização da realidade cósmica e a necessidade de conhecer a harmonia ligada essencialmente ao processo evolutivo.

O homem integral tendo consciência de conhecer, de ser, administra e trabalha permanentemente a sua identidade Cósmica. Dentro das potencialidades humanas, fazer do cotidiano exercício responsável desempenhando nos seus papéis sociais, verdadeiros laboratórios de vida nos encontros humanos.

Portanto, com esta nova mentalidade conseguir uma educação do espírito, fazer compreensão do pertencimento e da importância da relação com todos os seres.

O espírito adquire o conhecimento, ampliando a sua consciência permitindo superar situações, resolver habilidades e dentro do equilíbrio fazer auto-aprendizagem, auto-realização permanente. Assim sendo, estar aberto ao novo reelaborando conhecimento, como referencial os encarnados e os desencarnados.

É importante que a postura na evolução seja construída na existência com o potencial de aprendizado, estimulado pelo esforço, a vontade e a motivação constantes. O homem deve ter a atitude otimista para a leitura de mundo, promovendo crescimento pessoal, esforço consciente, aprendendo a ser, sendo.

Enfim, neste desafio da reconstrução do conhecimento, buscando enfatizar a relação com o mundo, as coisas, as pessoas, a vida e o Universo. Sempre com a responsabilidade, não só da formação,mas da transformação do ser para a evolução do homem no mundo.

Referências:

Sabbag, Altamir, Curitiba SBEE 1999.

Fui recentemente entrevistada pela jornalista Renata Fernandes do site Diário Web. Por motivo desconhecido a entrevista não foi publicada corretamente. Para não ficar equívocos, resolvi publicá-la na íntegra no meu blog:

RF: Na sua opinião, qual a importância da ciência justificar as manifestações de contato com espíritos?

RA: A Doutrina dos Espíritos está fundamentada na Ciência, na Filosofia e na Religião. Portanto, tudo deve ser analisado e passado pelo crivo da razão. É importante usar a transdisciplinaridade (ocupando várias disciplinas), para explicações dos fenômenos mediúnicos autênticos. A Ciência Espírita é a experiência espírita colocada e estruturada na metodologia científica. Sendo assim, trará respostas, surgirão novas concepções, colocando o fenômeno como algo natural, tirando-lhe o rótulo de “ sobrenatural” .

 
RF: Qual a influência psicológica sobre o que de fato seria o dom da mediunidade e o que de fato seria o dom da mediunidade e o que as pessoas acreditam ser esse dom?

RA: A mediunidade não é graça ou poder, dados por divindades, mas o resultado de todas as experiências adquiridas no processo reencarnatório. É habilidade e capacidade do espírito. Analisando uma “manifestação”, e se o médium espírita não tiver um equilíbrio bio-físico-psicossocial, ele colocará em evidência os seus próprios distúrbios psíquicos,  desequilíbrios emocionais, do seu próprio inconsciente. Assim, acreditam todos tratar-se de uma real manifestação espírita, e não passará de um processo de desajuste psicológico.

  
RF: Como as pessoas poderiam saber ou distinguir quem, de fato, tem dom de receber mensagens ou espíritos e quem é charlatão?

RA: O médium espírita que se prontifica a exercitar a sua mediunidade, quer dizer o mediunato espírita (é a vivência coerente com os princípios da Doutrina Espírita, o compromisso e a responsabilidade de ser espírita), deverá primeiramente ter um comportamento ético-moral, sempre pautando sua vida nos códigos cristãos, materializado no amor de Jesus Cristo. Além do caráter do médium, deverão sempre ser analisadas as mensagens mediúnicas. Pois, elas deverão conter os valores universais( Deus, Jesus, o amor, a caridade, etc.)

 

RF: Qual a importância e a diferença em acreditar em Deus ou em espíritos?

RA:Não se deve comparar Deus e os espíritos. Deus é o fundamento do fundamento da vida. Deus é. Portanto, Ele está fora de avaliação e comparação. O espírito nada mais é do que aquele que esteve encarnado um dia. O que muda é a perspectiva de tempo e espaço. Entretanto, Deus é a expressão e a dinâmica da vida e quando me alcanço como criatura, não há mais abismo entre o Creador e a criatura.
 

RF: A “crença” nos espíritos desencarnados teria alguma relação com a “crença” de católicos com os santos?

RA: Para efeito de comparação, os santos da Igreja Católica foram médiuns de efeitos físicos em vida na Terra. Alguns depois do desencarne teriam se materializado com o ectoplasma das próprias pessoas que assistiram esses episódios. Alguns desses santos tiveram uma vida de doação para com o próximo que é um caminho para a evolução.

 

RF: Os espíritas dizem que todas as pessoas têm algum grau de mediunidade. Isso é verdade? Por quê? Como alguém que não acredita deve lidar com isso? E como alguém que acredita pode desenvolvê-lo?

RA: A Doutrina dos Espíritos diz que todos somos médiuns em potencial. Como um dos princípios da Doutrina é o livre-arbítrio, a pessoa terá a liberdade de escolha. Aquele que deseja exercitar a mediunidade deverá educá-la para beneficiar o próximo. Mas, quem não acredita, basta ser um homem de bem e viver uma vida cristã, numa vibração de amor, contribuindo assim para melhorar a sociedade em que vive.

 

RF: Acredita que o cérebro dos médiuns é diferente dos demais, como apontam alguns cientistas?

RA: Existem vários estudos de cientistas sobre o cérebro e como determinadas áreas se modificam, durante episódios de prece, fenômenos de telepatia e até durante manifestações mediúnicas. Acredito que essa alteração física comprovada materialmente através de exames, já é suficiente para demonstrar capacidades e habilidades de médiuns.

 

RF: Há relação entre sonhos e mediunidade? Qual e por quê?

RA: Geralmente, sonhos refletem o nosso psiquismo, porém existem outros que revelam a emancipação parcial do espírito. Todos temos esta capacidade, mas alguns possuem mais facilidade de usufruir desta liberdade e conseguem acessar o mundo espiritual.

 

RF: Qual a credibilidade das cirurgias espirituais? Acredita que ela esteja fundamentada ou tenha relação com a fé?

RA: O médium no seu plano reencarnatório, que se propõe auxiliar o próximo através de cirurgias espirituais, aceita como tarefa missionária. Ele não poderá deixar que o orgulho, a vaidade, o poder, interrompam a sintonia com a equipe de espíritos que o auxiliam.

 

RF: Quem tem o dom da mediunidade e não a usa pode sofrer conseqüências espirituais?

RA: Numa nova visão contextualizada, a mediunidade deixa de ser vista, apenas como útil para fenômenos e manifestações. Ela tem uma abordagem mais ampla fazendo alcance social. Assim sendo, fazer mediunidade é vivenciar uma mudança de dentro para fora com a responsabilidade de educar, aconselhar, exemplificando com humildade, sem perder o raciocínio crítico.
O Espiritismo é a manifestação da Doutrina Espírita e tem por finalidade o aperfeiçoamento do ser humano. Desse modo, o médium espírita deverá ter um treinamento pessoal, começando pelo autoconhecimento, disciplina pessoal, tendo a consciência do alcance dos seus atos e opiniões.

 

Regina Maria Pereira Aust
Graduada em Teologia Espírita pela Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC), estudiosa e pesquisadora do Espiritismo na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE), Secretária da Associação Brasileira de Teólogos Espíritas (ABRATE)

A Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC) inaugurou um curso de graduação inédito no nosso país e quem sabe no mundo. É o Curso de Teologia, específico na área Espírita e tem a duração de 4 anos. Pela primeira vez, a Doutrina Espírita é estudada, a nível acadêmico e transdisciplinar, pois transita em todas as principais áreas do conhecimento.

Este curso superior proporciona ao aluno um estudo profundo da Doutrina, fazendo ponte com as áreas de Medicina, Direito, Antropologia, Sociologia, Física Quântica, Epistemologia, Psicologia, Pedagogia, etc.

A graduação de Bacharel em Teologia é reconhecida pelo MEC e sua proposta é capacitar pessoas de qualquer denominação religiosa que deseje o estudo da Doutrina.

“Assim sendo, o Teólogo Espírita, pode contribuir profissionalmente e ou voluntariamente em organizações relacionadas à saúde, assistência e desenvolvimento social, em unidades culturais, em núcleos de estudos espíritas e instituições religiosas. Pode atuar como membro de conselhos de ética dentro de organizações de grande porte … pode contribuir no terceiro setor e ONGS, na criação e desenvolvimento de projetos nucleados na promoção e dignificação do ser humano.” (WEDDERHOFF,P.H.,www.mediunatoespírita.com )

O Espiritismo que é a interpretação e a prática da Doutrina Espírita, baseada na fé raciocinada, codificada por Allan Kardec, sob a luz da Ciência, da Filosofia e da Religião, mostra-nos a importância da evolução pelo conhecimento intelectual e moral.

O curso conta com um corpo docente formado por mestres e doutores, com profundo e extenso conhecimento na Doutrina, exemplificado no seu idealizador o Professor Doutor Maury Rodrigues da Cruz. Ele é Diretor-Presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE), há muitos anos é médium atuante e propõe uma contextualização. Quer dizer, trazer conceitos, termos, idéias para os dias de hoje, promovendo o momento novo, mas atendendo e resguardando os princípios fundamentais da Doutrina.

A Teologia Espírita tem por objetivo o estudo, a pesquisa e a sistematização da Doutrina dos Espíritos, instrumentalizar e instrucionalizar o homem, ao nível da metodologia científica.

“Teologia Espírita sistematiza o perfil do médium, homem-sujeito que nos respectivos períodos históricos da humanidade produziram fatos espíritas por meio das mensagens, orientações, comunicações, que expressam qualitativamente conhecimento, integração humana. Levanta as variáveis que envolvem seu extrato e o seu substrato, redimensionando-o no tempo e no espaço. Restaura o pensamento crítico para a compreensão e interpretação do fato espírita, do processo mediúnico, na dimensão da história.” (CRUZ, 2008 p.240)

Assim sendo, os teólogos espíritas apoiados no reconhecimento oficial, poderão contribuir para o processo de reespiritualização da humanidade. É importante salientar que para mim foi uma honra fazer parte da primeira turma de Teologia Espírita da FALEC, mas sabendo que a tarefa continua. Pesquisar, estudar, divulgar, pois como a vida o conhecimento é dinâmico e que deve-se acompanhar os passos da Ciência, filtrado pela Filosofia e acomodado na moral cristã, no modelo de Jesus Cristo.

“O curso de Teologia Espírita, fazendo o cruzamento do conhecimento da Ciência, Filosofia e Religião, vem contribuir para a construção da unidade do conhecimento e na promoção da expansão das fronteiras do conhecimento espírita. Como resultados deste processo podemos esperar a melhoria dos níveis de qualidade, equilíbrio, dignidade e harmonia da vida no planeta Terra.”

 

REFERÊNCIAS

CRUZ,M.R. Antopologia Espírita, Curitiba, Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas

WEDDERHOFF,P.H. artigo Teologia Espírita (www.mediunato.org)

Muitas vezes, o médium no fenômeno anímico, assemelha-se a um processo mediúnico, aparentando a interferência de um Espírito, mas realmente é o desajuste de seu mundo subconsciencial. Segundo PERALVA (1971, p.186) ” o animismo é o fenômeno pelo qual a pessoa arroja ao passado os próprios sentimentos, de onde recolhe as impressões de que se vê possuida.” O médium desajustado reviverá cenas e acontecimentos, tornando o fenômeno como se fosse mediúnico.

De acordo com este autor, desta forma o animismo pode ser visto como a representação de fatos atuais ou passados, arquivados no inconsciente do médium para o seu consciente. Como Espíritos imortais em trajetória evolutiva, alternando encarnações, assimilando diversos hábitos e emoções, é natural que fiquem os seus registros na memória do próprio Espírito.
Quando acontece uma indução atavés de um estímulo, gera-se uma ponte inconsciente/consciente, externando com aparência de realidade, aquilo que foi vivido.
Conforme sustenta XAVIER (1990), o médium aprendiz inclinado ao animismo, deverá ser reajustado pacientemente, exigindo uma reforma moral e cultural, para assegurar a renovação íntima.
Nesse contexto, encontramos pessoas em reuniões mediúnicas, vítimas de desajustes em que o anímico , vem explicar uma personalidade adormecida, entando em conflito com a realidade.
Ainda segundo PERALVA (1971), nos grupos mediúnicos há que se fazer distinção nos fenômenos psíquicos, fatos anímicos e fatos espiríticos. Fatos anímicos são aqueles, que o médium sem mistificações, traz impressões do passado e transmite como se um Espírito estivesse na comunicação. Fatos espiríticos ou mediúnicos são aqueles, que o médium torna-se veículo na transmissão de idéias dos Espíritos desencarnados.
A repeito MIRANDA (1995), afirma que na prática mediúnica, o animismo vai se revelar sob dois pontos distintos: a alma do médium se comunicando, que é mais comum, ou ela introduzindo suas próprias idéias nas mensagens. O problema, nas comunicações do médium, que utiliza a sua própria equipagem medianímica (potencial mediúnico, faculdade do organismo do médium), não ficou esquecida por KARDC (2002). As orientações dos espíritos, demonstram o assunto dentro da normalidade, chegando a afirmar que alguns conteúdos de comunicações produzidas por médiuns, sem o concurso dos Espíritos, podem ser superiores, dependendo do grau de evolução de uns e de outros.
Dessa maneira, conforme MIRANDA (1995), o fato anímico nem sempre vai revelar qualidades adormecidas ou ocorrências do cotidiano, mas podem projetar traumas, manifestções fóbicas, enfim expressões de desajustes do médium.
Além disso, soma-se a esse fato as manifestações mistas, ou parcialmente anÍmicas, quando o médium não consegue uma interação completa, introduz suas próprias idéias e automatismos da personalidade.

Um grande problema é a falta de afinidade vibratória entre o médium e o Espírito, necessárias e indispensáveis para que o fenômeno mediúnico se processe. Este assunto é tratado por KARDEC (Livro dos Médiuns, item 223, pergunta 7):” O Espírito encarnado no médium exerce alguma influência sobre as comunicações que deva transmitir provindas de outros Espíritos? Exerce, porquanto se estes não lhe são simpáticos pode ele alterar-lhes as respostas e assimilá-las às suas próprias idéias e pendores.” (p.270) Esta simpatia não é só afinidade psicológica e afetiva, mas sobretudo da ” …organização perispiritual que determinam a sintonia vibratória responsável pelo fenômeno mediúnico.” (MIRANDA, 1995 p. 86)

De outras vezes, há um mecanismo de ssociação de idéias, em que o médium decodifica as mensagens e registra pensamentos, por meio de associações anímicas, peculiares às suas experiências vividas. Outrossim, há momentos de interferências anímicas quando provocadas por interrupção de sintonia. Para se compreender melhor o problema do animismo, faz-se necessário, melhor entendimento do papel do médium nas comunicações. Sabendo-se que ele é o intérprete, não somente repetindo-as, mas absorvendo as idéias em seu íntimo e devolvendo-as representadas por seu estilo, vocabulário, emoções e acervo cultural.

O autor afirma, que é comum no início do exercício mediúnico, os médiuns não saberem determinar corretamente, a fronteira entre o seu próprio pensamento e dos comunicantes, provocando insegurança. Sendo assim, torna-se necessário, para se alcançar o estado mediúnico transitar pelo anímico. ” Espera-se que os médiuns atuantes compreendam sem demora este processo de transitar do anímico para o mediúnico, desemperrando as engrenagens medianímicas pelo exercício disciplinado e constante…” (MIRANDA, 1995 p. 92)

Alguns obstáculos aparecem e traduzem-se na comunicação mediúnica, em função do desequilíbrio emocional do médium, provocando um animismo-desajuste. Daí a necessidade de uma vivência espírita, no que diz respeito, a hábitos salutares e a um comprometimento que vão sensibilizar, evitando os chamados ruídos na comunicação mediúnica.

Para TEIXEIRA (1995) todo fenômeno mediúnico sofre a presença do fator anímico, pois o comunicante espiritual utiliza os elementos biológicos, psicológicos e culturais do médium. No campo mediúnico, a mensagem transmitida sempre apresentará os recursos psíquicos e culturais do médium e por esta razão, o exercício sistemático de esclarecimento e os valores morais contribuirão para o êxito da atividade mediúnica.

Quando o médium empresta os órgãos físicos, este intercâmbio se dará através de suas potencialidades, mas ao atingir a área mediúnica intelectual, estabelece-se um conflito, sobre até que ponto o anímico vai alterar a mensagem sutil, telepática de mente a mente.

REFERÊNCIAS

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos, 83 ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira – FEB, 2002

O Livro dos Médiuns, 71 ed. Brsília: Fedração Espírita Brasileira – FEB, 2003

MIRANDA, M. P. Vivência Mediúnica -Projeto, Salvador: Livraria Espírita Alvorada, 1995

PERALVA, M. Estudando a Mediunidade, 5 ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira – FEB, 1971

TEIXEIRA, J. R. Correnteza de Luz, (pelo espírito Camilo). Psicografado pelo médium J. Raul Teixeira. Rio de Janeiro: Fráter, 1995

XAVIER, F. C. Mecanismos da Mediunidade, (pelo espírito André Luiz). Psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier. 11 ed. Distrito Federal: Federação Espírita Brasileira – FEB, 1990

REGINA MARIA PEREIRA AUST
TEÓLOGA graduada pela Faculdade Doutor Leocádio
José Correia (FALEC)

A MEDIUNIDADE SOB O ASPECTO CIENTÍFICO

por Regina Maria Pereira Aust, Teóloga
graduada em Teologia Espírita pela
Faculdade Dr. Leocádio José Correia-
FALEC, pesquisadora do Espiritismo

A Doutrina Espírita foi codificada por Allan Kardec e interpretada através da Ciência, da Filosofia e da Religião. O Espiritismo é a manifestação da Doutrina dos Espíritos e possui dentro do seu corpus doutrinário a comunicação com os espíritos desencarnados.

Dentro das manifestações mediúnicas recomenda-se o estudo e a pesquisa, ampliando assim, os horizontes do conhecimento. Com o propósito de buscar um paradigma científico sobre a mediunidade é necessário a pesquisa continuada no meio acadêmico, dando sustentabilidade ao tema. “O conhecimento científico se renova todos os dias pelo processo da revisitação crítica, que o cientista opera nas sentenças do conhecimento.” (CRUZ, 2005 p.63)

A mediunidade é formada a cada encarnação, habilidades e capacidades, em níveis diferentes para cada indivíduo. O fenômeno anímico dentro da manifestação mediúnica vai estar evidente, pois significa a força dominial do homem, e o médium apresentará toda sua potencialidade.

“A Doutrina dos Espíritos entende que a mediunidade é sempre potencialidade do espírito; no entanto, não há produto mediúnico sem equilíbrio biomático do organismo do médium.” (CRUZ, 2001 p.67)

Assim sendo, surge a preocupação em aprofundar o estudo da mediunidade cientificamente e de modo transdisciplinar. Na transição do século XIX e XX, diversos psiquiatras e psicólogos estudaram a mediunidade, mas além desses trabalhos ficarem desconhecidos, não foi dado continuidade nestas investigações.

As manifestações mediúnicas foram identificadas ao longo da história na grande maioria das sociedades. Dentro das grandes religiões aparecem com Moisés e os profetas hebreus quando recebiam mensagens de Jeová ou dos anjos; na conversão de Paulo às portas de Damasco; Maomé recebendo do Anjo Gabriel as leis que compõem o Corão.

Vale lembrar que aqui no Brasil existe um caldo religioso cultural onde os “transes mediúnicos” aparecem: afro- brasileiros, evangélicos pentecostais, católicos carismáticos e espíritas.

Dessa forma, a retomada dos estudos sobre a mediunidade e melhor entendimento das vivências tidas como mediúnicas, reconhecendo assim as investigações realizadas por alguns pesquisadores. Nesta pesquisa coloca-se em discussão idéias e posições assumidas por pesquisadores acerca da mediunidade.

Por sua vez, alguns dos fundadores da moderna psicologia e psiquiatria, tais como: James, Janet, Myers e Jung que produziram material a respeito do tema.

William James (1842-1910) considerado um dos cinco psicólogos mais importantes de todos os tempos, filósofo pragmatista, fundou na Universidade de Harvard, o primeiro laboratório americano de psicologia. Escreveu sobre os aspectos da psicologia humana, do funcionamento cerebral até o êxtase religioso, da percepção à mediunidade psíquica.

James esteve em contato com a Society Psychical Research de Londres e pelo seu prestígio deu respeitabilidade à pesquisa psíquica. Ele dizia que o verdadeiro pesquisador, mesmo considerando fenômenos absurdos, deve enfrentá-los, pensá-los e correlacioná-los.

O autor não entendia que cientistas, as pessoas mais capacitadas, recusavam-se investigar os fenômenos. Com o intuito de investigar a mediunidade, James pesquisou por mais de duas décadas a famosa médium do século XIX, Leonore Piper. (JAMES, 1909)

Segundo o autor, considerou que a predisposição para essas vivências mediúnicas não seria algo incomum. Ele asseverou ainda, que investigar o “transe mediúnico” é tarefa árdua por ser um fenômeno complexo.

De igual forma, considerava a “possessão mediúnica” uma forma natural e de personalidade alternativa e muitas vezes, sem nenhum sinal de problemas mentais. Para o autor, existiriam explicações possíveis para os fenômenos, ditos mediúnicos, tais como: a fraude, a dissociação com uma tendência a personificar uma outra personalidade ou influência de um espírito desencarnado. (JAMES, 1909)

James permaneceu indeciso sobre a questão da alma pessoal, entretanto, realmente sentia que havia algo além da identidade individual. Achava haver um continuum de consciência cósmica…

Outro importante psicólogo a pesquisar sobre a mediunidade foi Pierre Janet (1859-1947). Janet, formado em psicologia e psiquiatria na França, é reconhecido como fundador das modernas visões sobre dissociação. Em seus estudos sobre a mediunidade e o Espiritismo, o autor aborda “desagregações psicológicas” observando experimentalmente médiuns.

Para Janet quando a personalidade humana perde sua coesão, uma parcela dela mesma pode desprender-se do conjunto e dar origem a diversos automatismos motores e sensoriais, tais como: anestesias, catalepsia, sonambulismo, escritas automáticas, seriam formas de “desagregação psíquica” (FAURE, 1973)

Por sua vez, Frederic W. H. Myers (1843-1901) não teve formação em psicologia, mas sim, em literatura clássica e foi professor de cultura clássica na Universidade de Cambridge. Poeta inglês, e em 1882, fundou a Sociedade Psychical Research junto com outros pesquisadores de Cambridge, com o objetivo de investigar sobre telepatia, hipnotismo, assombrações e alucinações, contando para isso com vários médiuns.

A sua grande contribuição foi, a investigação do inconsciente que Myers denominou “self subliminal”. Ele sustentava que o self consciente (self supraliminal) não representava toda a mente, mas existia “uma consciência mais abrangente, mais profunda, cujo potencial permanece em sua maior parte latente.” E para nominá-la usou a palavra subliminal, designando “tudo que ocorre sob o limiar ordinário, fora da consciência habitual.” (MAYERS, 2001 p.6-7)

Para o autor, existiria continuamente toda uma vida psíquica de pensamentos, sensações e emoções, que raramente emergem. Quando emergem são faculdades das quais não há conhecimento prévio, e essas habilidades envolveriam uma grande ampliação de nossas faculdades mentais, tais como: inspirações dos gênios, telepatia, clarividência e também a comunicação com os desencarnados.

Em pesquisas experimentais sobre a mediunidade, utilizando vários médiuns, Myers observou que, a maioria das manifestações consideradas mediúnicas, seriam da emergência de conteúdos do self subliminal do próprio médium. Evidências, que o sensitivo teria obtido por telepatia, carividência, e ao final de suas investigações comprovando a comunicação telepática entre indivíduos encarnados; abrindo assim a possibilidade da comunicação entre encarnado e desencarnado.

“As investigações nessa área envolveriam uma grande complexidade, pois uma mesma comunicação mediúnica pode conter alguns elementos da mente do médium e outros obtidos telepaticamente, tanto de encarnados como do espírito desencarnado comunicante.” (MYERS, 2001 p. 337)

De igual forma, o autor Carl Gustav Jung (1875-1961) que foi um dos maiores psiquiatras do mundo e fundador da escola analítica de psicologia, mostrou interesse em suas pesquisas pela mediunidade. Sua vida esteve marcada por experiências pessoais envolvendo fenômenos de clarividência, sonhos premonitórios e psicocinesia.

Em 1902 publicou uma dissertação para obter o título de médico: Sobre a Psicologia e a Patologia dos Fenômenos Chamados Ocultos. Neste trabalho contou com sua prima de 15 anos, médium, para essa investigação que teve a duração de um ano.

Jung a princípio concorda com Janet sobre considerar uma personalidade subconsciente manifestando automatismos. Para Jung haveria uma desagregação de complexos psíquicos que se manifestariam como individualidades, dependendo da predisposição do médium.

Jung afirma também sobre uma manifestação importante do inconsciente do médium, mas não excluindo a possibilidade de uma origem paranormal; e inclusive, a real comunicação de um espírito desencarnado.

“Aqueles que não estão convencidos deveriam ter cautela em assumir ingenuamente que toda a questão dos espíritos foi resolvida e que todas as manifestações deste tipo são fraudes sem sentido. (…) Eu não hesito em declarar que tenho observado um número suficiente de tais fenômenos para estar completamente convencido de sua realidade.” (JUNG, 1977)

Outrossim, a descrição do fenômeno e a não atribuição ao desconhecido – ao espírito desencarnado, é proposto por Bozzano quando fala que a resolução do problema da sobrevivência do espírito humano desencarnado, seria o estudo dos poderes do espírito humano encarnado.

Também enfatiza essa hipótese Aksakof que foi o primeiro a escrever da extrema dificuldade de se comprovar a realidade de uma comunicação mediúnica, uma vez que grande parte das manifestações espíritas poderia ser atribuída a ação do inconsciente do médium. Por isso, ele denominou esses fenômenos de anímicos.

O processo mediúnico será sempre o consentimento dos agentes que o compõe e ainda, um cruzamento de códigos de conhecimento entre os envolvidos. “O produto mediúnico, resultante da superação, produz diversidade, promovendo alteralidade nos diversos segmentos do conhecimento humano.” (CRUZ, 2003 p.71)

Ainda segundo o autor, a participação do agente mediúnico significa que o processo enzimático do médium sofre alterações, faz produções, mas depende da consciência e dos objetivos a que ele se propõe.

Em conseqüência, a ciência espírita deve colocar e estruturar a experiência espírita na metodologia científica; pois, a pesquisa sistemática empírica espírita trará repostas significativas. “(…) esses resultados farão subsídios teóricos para diversas questões teórico-práticas, ao mesmo tempo em que sustentarão novas pesquisas, produzindo um dinamismo intenso e de profunda envergadura em toda a causa espírita.” (CRUZ, 1999 p.65)

A Doutrina Espírita não trabalha com consciência, inconsciência e subconsciência, por não permitir o desvirtuamento no que diz respeito, a total responsabilidade do espírito encarnado em todas as suas ações. “Os espíritos ensinam que ao reencarnar o espírito vai, através das diversas experiências a que fica submetido no decurso do processo reencarnatório, acessando os códigos de registro que mantém no seu próprio ser.” (CRUZ, 1999 p.60)

Por conseguinte, estudando a mediunidade com o auxílio da psicologia, podemos tentar explicar o fenômeno anímico, no existente em repouso, em trânsito e o revelado. Existente em repouso: que corresponde a todas as encarnações vivenciadas e que permanecem registradas, prontas para serem acessadas; Existente em trânsito: que compõe todas as percepções e aprendizados durante a encarnação atual; Existente revelado: que diz respeito ao momento presente, construção do cotidiano.

Conforme as explicações do autor sobre o existente, podemos dizer que muitas vezes, as habilidades de um espírito aparecem numa manifestação mediúnica. O médium associa o passado do existente em repouso, com o aprendizado do existente em trânsito e se revela, gerando uma manifestação anímica, do próprio espírito encarnado.

Dado o exposto, é necessário dar continuidade nas investigações científicas sobre a mediunidade. A fim de, pesquisar a fenomenologia, mas principalmente e em conjunto, o perfil físio-bio-dínamo-psicossocial do médium.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, A. M.; LOTUFO NETO, F. artigo: A mediunidade vista por alguns pioneiros da área mental (www,scielo.br)

CRUZ, M.R. Cadernos de Psicofonia de 1995, Doutrina Social Espírita (pelo espírito Antonio Grimm). Psicofonado pelo médium Maury Rodrigues da Cruz. Curitiba: Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas – SBEE, 2003

______ Cadernos de Psicofonia de 1997, Doutrina Social Espírita (pelo espírito Antonio Grimm). Psicofonado pelo médium Maury Rodrigues da Cruz. Curitiba: Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas – SBEE, 1999

______Cadernos de Psicofonia de 2000, Doutrina Social Espírita (pelo espírito Antonio Grimm) Psicofonado pelo médium Maury Rodrigues da Cruz. Curitiba: Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas – SBEE, 2001

______Cadernos de Psicofonia de 2004, Doutrina Social Espírita (pelo espírito Antonio Grimm). Psicofonado pelo médium Maury Rodrigues da Cruz. Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas – 2005

FAURE, H. Avat-Propos.In: Janet,P. L Automatisme Psychologique: Essai de Pychologie Expérimentale sur lês forme inférieures de l activité humaine. Centre National de La Recherche Scientifique, Paris, 1973 (1889)

JAMES, W. Reporto n Mrs. Pipers Hodgson-Control. Proceedings of the American Society for Psychical Research, vol.lll, 1909

JUNG, C.G. Psychology and Spiritualism. In: Jung, C. G. Collected Works, vol. XVIII, The Symbolic Life. Routledge & Kegan Paul, London, 1977

MAYERS, F.W.H. Human Personality and its Survival of Bodily Death, (1903). Hampton Roads Publishing Company Inc, Charlottesville, 2001