Ciência


Para os interessados em aprender sempre!

Sobre o Curso de Teologia Espírita na

Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC) Curitiba PR

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O mediunato espírita que é o exercício da mediunidade, deverá ser sempre uma vivência coerente. O exercitando neste aprender faz conhecimento e altera comportamento. Na consciência assume a postura com responsabilidade das funções de agente mediúnico.

Este compromisso com a Doutrina envolve a sua vida, a vida cultural do seu povo e a humanidade. Mediunato é um processo de aprender num padrão relativo aos princípios doutrinários.

Sendo assim, é um compromisso de revisitação de conceitos e de atitude transdisciplinar. O conhecimento é adquirido pelo espírito no seu cotidiano, na sua trajetória. Este processo nunca estará completo, pois o novo ajudará no enfrentamento de novos desafios, esta é a evolução.

O homem produz transformações nos seus diversos contextos simultaneamente, alterando, desdobrando e pelo conhecimento administra, faz auto-controle, auto-confiança e auto-disciplina. Este conhecimento é vivo, reação de dentro para fora, transforma a realidade pela vontade na busca do equilíbrio.

O homem integral está em permanente aperfeiçoamento intelectual e moral, é dinâmico para vir a ser através de pensamentos, palavras, sentimentos e ação, num padrão cósmico.

As leis existentes na Criação, observadas e assimiladas, fazem o homem integral buscar o equilíbrio físico, mental e espiritual. O conhecimento é ampliado havendo a conscientização da realidade cósmica e a necessidade de conhecer a harmonia ligada essencialmente ao processo evolutivo.

O homem integral tendo consciência de conhecer, de ser, administra e trabalha permanentemente a sua identidade Cósmica. Dentro das potencialidades humanas, fazer do cotidiano exercício responsável desempenhando nos seus papéis sociais, verdadeiros laboratórios de vida nos encontros humanos.

Portanto, com esta nova mentalidade conseguir uma educação do espírito, fazer compreensão do pertencimento e da importância da relação com todos os seres.

O espírito adquire o conhecimento, ampliando a sua consciência permitindo superar situações, resolver habilidades e dentro do equilíbrio fazer auto-aprendizagem, auto-realização permanente. Assim sendo, estar aberto ao novo reelaborando conhecimento, como referencial os encarnados e os desencarnados.

É importante que a postura na evolução seja construída na existência com o potencial de aprendizado, estimulado pelo esforço, a vontade e a motivação constantes. O homem deve ter a atitude otimista para a leitura de mundo, promovendo crescimento pessoal, esforço consciente, aprendendo a ser, sendo.

Enfim, neste desafio da reconstrução do conhecimento, buscando enfatizar a relação com o mundo, as coisas, as pessoas, a vida e o Universo. Sempre com a responsabilidade, não só da formação,mas da transformação do ser para a evolução do homem no mundo.

Referências:

Sabbag, Altamir, Curitiba SBEE 1999.

O século XIX ficou conhecido como “ o século do materialismo”  com o empobrecimento do valor da vida do homem e o final do século “ um grande tédio que oprimia as almas” .

Inaugurando a nova mística científica, a reconciliação entre ciência e religião, anunciando que o sagrado está de volta no século XX.

A partir da década de 60 surgem novas e estranhas seitas causando uma veradeira orgia mística. Agora deseja-se um ecumenismo, não uma concordância religiosa, mas uma união e um fortalecimento no que é comum, respeitando as diferenças. Na carta aos hebreus “ Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem”. A fé é a medida e a essência da religião.

A nova era deverá ser do bem comum, da solidariedade. Nos dias atuais nota-se a sensibilidade ao espiritual e como disse André Malraux: “ O século XXI parece-me, será necessariamente o século do espírito “.

No interesse da educação, devemos trazer à reflexão, o sentido da vida à luz da razão, da ciência e da transcendência. Apesar de sofrermos no último século, sempre haverá lições a serem aprendidas e muito amadurecimento. A educação, a família, as escolas pedem uma pedagogia voltada para o crescimento espiritual.

Uma educação espiritualizada, aberta a conviver com os diferentes é um novo desafio aos educadores. O que se propõe é uma educação com amplitude, um processo de preparação ao educando e que ele veja na morte o renascer para a Dimensão Maior. Este amplo processo não envolverá só professores, mas os pais e toda sociedade.

Sendo assim, na família que deverá começar, pois é onde os primeiros valores são aprendidos, mas devem vir acompanhados de afeto. Entretanto, na escola deve continuar esta combinação acrescentando o conhecimento e assim progressivamente nos ambientes de vida da pessoa.

A educação possue um amplo processo porque tem que se levar em conta o lugar e o momento da sociedade em questão, indicando forma de humanidade para o educando atingir a maturidade e a cidadania.

Dora Incontri diz: “ A educação sem um propósito de transcendência é uma ideia vazia e estreita e pode sempre se tornar instrumento de manipulação dos poderes sociais “.

Os educadores tem o dever de intervir na vida dos educandos, sempre respeitando o espaço emocional deles. Além disso, o educador ao conseguir penetrar o íntimo do educando  de comum acordo, acontecerá o verdadeiro encontro humano.

Não devemos achar que a tarefa é fácil, pois a educação anda doente, deficiente na maioria das instituições. O homem se distanciou de Deus e caiu no materialismo, resultando uma vida solitária e vazia. O século XXI veio trazendo o individualismo, a fome, a violência, o desamor, o consumismo e sem qualidades morais.

Neste mundo atual o ter vale mais que o ser. Estamos numa crise, mas é tempo de mudanças para continuar a evolução histórica. Chega de ficar esperando atitudes de governo que a sociedade precisa, mas sim procurar envolvimento comunitário na educação escolar.

O homem é um animal que nasceu não somente para coexistir com outros, mas para conviver e ter uma relação com o outro. É nesta convivência que vai implicar uma educação para realização e para a paz.

Como diz Heráclito: “ O conflito é o pai de todas as coisas “. Nesta visão, a natureza teve sua reorganização com pseudos fenômenos de destruição. A partir daí, o homem criou poderes sobre as forças da natureza e hoje este poder destrutivo ultrapassou seus próprios poderes.

A história nos mostra que junto com o sagrado, a violência está contida na natureza íntima humana. Não é uma tarefa fácil tentar pacificar o homem, pois na sua cultura aprendeu a lutar por suas conquistas, achando que existe uma “guerra justa” .

Assim sendo, para provocar a paz teremos que convocar a sociedade e educar seus filhos. Como diz Pierre Weil: …a paz é ao mesmo tempo felicidade interior, harmonia social e relação equilibrada com o meio ambiente.

Nesta dimensão de formação individual cabe ao professor fazer com que o aluno se questione, filosofe, raciocine, faça perguntas, para que procure encontrar a profundidade do seu ser. Embora esta busca possa significar angústia e inquietude, é nesta situação que será burilado o Ser futuro.

A atividade escolar não significa, portanto, mera ação exterior, como pretende certos métodos e escolas, mas um meio para se chegar a uma modalidade de espírito, a uma mentalidade. O educador poderá utilizá-la com a finalidade de fazer de seus alunos seres conscientes e responsáveis.

O educador não é simples aplicador de um método ou uma técnica, mas aquele que leva o aluno à descoberta de si mesmo. Estando envolvido com os sentimentos do educando, o conhecimento não é um fim em si, mas um meio de cultivar o indivíduo total, cérebro e coração.

Teilhard de Chardin mostra…que o espiritualista verdadeiro é aquele que tudo integra em Deus e consegue perceber a espiritualidade da matéria.

Deus está em cada manifestação da Natureza e é a inteligência criadora do ser humano. Assim sendo, teremos que ter professores educadores comprometidos em formar seres humanos melhores. O verdadeiro educador com Deus no coração saberá passar esta espiritualidade, este sentimento que não é ensinado, mas sim sentido e vivenciado.

 

 

Regina Maria Pereira Aust

Teóloga Espírita

Fui recentemente entrevistada pela jornalista Renata Fernandes do site Diário Web. Por motivo desconhecido a entrevista não foi publicada corretamente. Para não ficar equívocos, resolvi publicá-la na íntegra no meu blog:

RF: Na sua opinião, qual a importância da ciência justificar as manifestações de contato com espíritos?

RA: A Doutrina dos Espíritos está fundamentada na Ciência, na Filosofia e na Religião. Portanto, tudo deve ser analisado e passado pelo crivo da razão. É importante usar a transdisciplinaridade (ocupando várias disciplinas), para explicações dos fenômenos mediúnicos autênticos. A Ciência Espírita é a experiência espírita colocada e estruturada na metodologia científica. Sendo assim, trará respostas, surgirão novas concepções, colocando o fenômeno como algo natural, tirando-lhe o rótulo de “ sobrenatural” .

 
RF: Qual a influência psicológica sobre o que de fato seria o dom da mediunidade e o que de fato seria o dom da mediunidade e o que as pessoas acreditam ser esse dom?

RA: A mediunidade não é graça ou poder, dados por divindades, mas o resultado de todas as experiências adquiridas no processo reencarnatório. É habilidade e capacidade do espírito. Analisando uma “manifestação”, e se o médium espírita não tiver um equilíbrio bio-físico-psicossocial, ele colocará em evidência os seus próprios distúrbios psíquicos,  desequilíbrios emocionais, do seu próprio inconsciente. Assim, acreditam todos tratar-se de uma real manifestação espírita, e não passará de um processo de desajuste psicológico.

  
RF: Como as pessoas poderiam saber ou distinguir quem, de fato, tem dom de receber mensagens ou espíritos e quem é charlatão?

RA: O médium espírita que se prontifica a exercitar a sua mediunidade, quer dizer o mediunato espírita (é a vivência coerente com os princípios da Doutrina Espírita, o compromisso e a responsabilidade de ser espírita), deverá primeiramente ter um comportamento ético-moral, sempre pautando sua vida nos códigos cristãos, materializado no amor de Jesus Cristo. Além do caráter do médium, deverão sempre ser analisadas as mensagens mediúnicas. Pois, elas deverão conter os valores universais( Deus, Jesus, o amor, a caridade, etc.)

 

RF: Qual a importância e a diferença em acreditar em Deus ou em espíritos?

RA:Não se deve comparar Deus e os espíritos. Deus é o fundamento do fundamento da vida. Deus é. Portanto, Ele está fora de avaliação e comparação. O espírito nada mais é do que aquele que esteve encarnado um dia. O que muda é a perspectiva de tempo e espaço. Entretanto, Deus é a expressão e a dinâmica da vida e quando me alcanço como criatura, não há mais abismo entre o Creador e a criatura.
 

RF: A “crença” nos espíritos desencarnados teria alguma relação com a “crença” de católicos com os santos?

RA: Para efeito de comparação, os santos da Igreja Católica foram médiuns de efeitos físicos em vida na Terra. Alguns depois do desencarne teriam se materializado com o ectoplasma das próprias pessoas que assistiram esses episódios. Alguns desses santos tiveram uma vida de doação para com o próximo que é um caminho para a evolução.

 

RF: Os espíritas dizem que todas as pessoas têm algum grau de mediunidade. Isso é verdade? Por quê? Como alguém que não acredita deve lidar com isso? E como alguém que acredita pode desenvolvê-lo?

RA: A Doutrina dos Espíritos diz que todos somos médiuns em potencial. Como um dos princípios da Doutrina é o livre-arbítrio, a pessoa terá a liberdade de escolha. Aquele que deseja exercitar a mediunidade deverá educá-la para beneficiar o próximo. Mas, quem não acredita, basta ser um homem de bem e viver uma vida cristã, numa vibração de amor, contribuindo assim para melhorar a sociedade em que vive.

 

RF: Acredita que o cérebro dos médiuns é diferente dos demais, como apontam alguns cientistas?

RA: Existem vários estudos de cientistas sobre o cérebro e como determinadas áreas se modificam, durante episódios de prece, fenômenos de telepatia e até durante manifestações mediúnicas. Acredito que essa alteração física comprovada materialmente através de exames, já é suficiente para demonstrar capacidades e habilidades de médiuns.

 

RF: Há relação entre sonhos e mediunidade? Qual e por quê?

RA: Geralmente, sonhos refletem o nosso psiquismo, porém existem outros que revelam a emancipação parcial do espírito. Todos temos esta capacidade, mas alguns possuem mais facilidade de usufruir desta liberdade e conseguem acessar o mundo espiritual.

 

RF: Qual a credibilidade das cirurgias espirituais? Acredita que ela esteja fundamentada ou tenha relação com a fé?

RA: O médium no seu plano reencarnatório, que se propõe auxiliar o próximo através de cirurgias espirituais, aceita como tarefa missionária. Ele não poderá deixar que o orgulho, a vaidade, o poder, interrompam a sintonia com a equipe de espíritos que o auxiliam.

 

RF: Quem tem o dom da mediunidade e não a usa pode sofrer conseqüências espirituais?

RA: Numa nova visão contextualizada, a mediunidade deixa de ser vista, apenas como útil para fenômenos e manifestações. Ela tem uma abordagem mais ampla fazendo alcance social. Assim sendo, fazer mediunidade é vivenciar uma mudança de dentro para fora com a responsabilidade de educar, aconselhar, exemplificando com humildade, sem perder o raciocínio crítico.
O Espiritismo é a manifestação da Doutrina Espírita e tem por finalidade o aperfeiçoamento do ser humano. Desse modo, o médium espírita deverá ter um treinamento pessoal, começando pelo autoconhecimento, disciplina pessoal, tendo a consciência do alcance dos seus atos e opiniões.

 

Regina Maria Pereira Aust
Graduada em Teologia Espírita pela Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC), estudiosa e pesquisadora do Espiritismo na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE), Secretária da Associação Brasileira de Teólogos Espíritas (ABRATE)

A Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC) inaugurou um curso de graduação inédito no nosso país e quem sabe no mundo. É o Curso de Teologia, específico na área Espírita e tem a duração de 4 anos. Pela primeira vez, a Doutrina Espírita é estudada, a nível acadêmico e transdisciplinar, pois transita em todas as principais áreas do conhecimento.

Este curso superior proporciona ao aluno um estudo profundo da Doutrina, fazendo ponte com as áreas de Medicina, Direito, Antropologia, Sociologia, Física Quântica, Epistemologia, Psicologia, Pedagogia, etc.

A graduação de Bacharel em Teologia é reconhecida pelo MEC e sua proposta é capacitar pessoas de qualquer denominação religiosa que deseje o estudo da Doutrina.

“Assim sendo, o Teólogo Espírita, pode contribuir profissionalmente e ou voluntariamente em organizações relacionadas à saúde, assistência e desenvolvimento social, em unidades culturais, em núcleos de estudos espíritas e instituições religiosas. Pode atuar como membro de conselhos de ética dentro de organizações de grande porte … pode contribuir no terceiro setor e ONGS, na criação e desenvolvimento de projetos nucleados na promoção e dignificação do ser humano.” (WEDDERHOFF,P.H.,www.mediunatoespírita.com )

O Espiritismo que é a interpretação e a prática da Doutrina Espírita, baseada na fé raciocinada, codificada por Allan Kardec, sob a luz da Ciência, da Filosofia e da Religião, mostra-nos a importância da evolução pelo conhecimento intelectual e moral.

O curso conta com um corpo docente formado por mestres e doutores, com profundo e extenso conhecimento na Doutrina, exemplificado no seu idealizador o Professor Doutor Maury Rodrigues da Cruz. Ele é Diretor-Presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE), há muitos anos é médium atuante e propõe uma contextualização. Quer dizer, trazer conceitos, termos, idéias para os dias de hoje, promovendo o momento novo, mas atendendo e resguardando os princípios fundamentais da Doutrina.

A Teologia Espírita tem por objetivo o estudo, a pesquisa e a sistematização da Doutrina dos Espíritos, instrumentalizar e instrucionalizar o homem, ao nível da metodologia científica.

“Teologia Espírita sistematiza o perfil do médium, homem-sujeito que nos respectivos períodos históricos da humanidade produziram fatos espíritas por meio das mensagens, orientações, comunicações, que expressam qualitativamente conhecimento, integração humana. Levanta as variáveis que envolvem seu extrato e o seu substrato, redimensionando-o no tempo e no espaço. Restaura o pensamento crítico para a compreensão e interpretação do fato espírita, do processo mediúnico, na dimensão da história.” (CRUZ, 2008 p.240)

Assim sendo, os teólogos espíritas apoiados no reconhecimento oficial, poderão contribuir para o processo de reespiritualização da humanidade. É importante salientar que para mim foi uma honra fazer parte da primeira turma de Teologia Espírita da FALEC, mas sabendo que a tarefa continua. Pesquisar, estudar, divulgar, pois como a vida o conhecimento é dinâmico e que deve-se acompanhar os passos da Ciência, filtrado pela Filosofia e acomodado na moral cristã, no modelo de Jesus Cristo.

“O curso de Teologia Espírita, fazendo o cruzamento do conhecimento da Ciência, Filosofia e Religião, vem contribuir para a construção da unidade do conhecimento e na promoção da expansão das fronteiras do conhecimento espírita. Como resultados deste processo podemos esperar a melhoria dos níveis de qualidade, equilíbrio, dignidade e harmonia da vida no planeta Terra.”

 

REFERÊNCIAS

CRUZ,M.R. Antopologia Espírita, Curitiba, Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas

WEDDERHOFF,P.H. artigo Teologia Espírita (www.mediunato.org)

Muitas vezes, o médium no fenômeno anímico, assemelha-se a um processo mediúnico, aparentando a interferência de um Espírito, mas realmente é o desajuste de seu mundo subconsciencial. Segundo PERALVA (1971, p.186) ” o animismo é o fenômeno pelo qual a pessoa arroja ao passado os próprios sentimentos, de onde recolhe as impressões de que se vê possuida.” O médium desajustado reviverá cenas e acontecimentos, tornando o fenômeno como se fosse mediúnico.

De acordo com este autor, desta forma o animismo pode ser visto como a representação de fatos atuais ou passados, arquivados no inconsciente do médium para o seu consciente. Como Espíritos imortais em trajetória evolutiva, alternando encarnações, assimilando diversos hábitos e emoções, é natural que fiquem os seus registros na memória do próprio Espírito.
Quando acontece uma indução atavés de um estímulo, gera-se uma ponte inconsciente/consciente, externando com aparência de realidade, aquilo que foi vivido.
Conforme sustenta XAVIER (1990), o médium aprendiz inclinado ao animismo, deverá ser reajustado pacientemente, exigindo uma reforma moral e cultural, para assegurar a renovação íntima.
Nesse contexto, encontramos pessoas em reuniões mediúnicas, vítimas de desajustes em que o anímico , vem explicar uma personalidade adormecida, entando em conflito com a realidade.
Ainda segundo PERALVA (1971), nos grupos mediúnicos há que se fazer distinção nos fenômenos psíquicos, fatos anímicos e fatos espiríticos. Fatos anímicos são aqueles, que o médium sem mistificações, traz impressões do passado e transmite como se um Espírito estivesse na comunicação. Fatos espiríticos ou mediúnicos são aqueles, que o médium torna-se veículo na transmissão de idéias dos Espíritos desencarnados.
A repeito MIRANDA (1995), afirma que na prática mediúnica, o animismo vai se revelar sob dois pontos distintos: a alma do médium se comunicando, que é mais comum, ou ela introduzindo suas próprias idéias nas mensagens. O problema, nas comunicações do médium, que utiliza a sua própria equipagem medianímica (potencial mediúnico, faculdade do organismo do médium), não ficou esquecida por KARDC (2002). As orientações dos espíritos, demonstram o assunto dentro da normalidade, chegando a afirmar que alguns conteúdos de comunicações produzidas por médiuns, sem o concurso dos Espíritos, podem ser superiores, dependendo do grau de evolução de uns e de outros.
Dessa maneira, conforme MIRANDA (1995), o fato anímico nem sempre vai revelar qualidades adormecidas ou ocorrências do cotidiano, mas podem projetar traumas, manifestções fóbicas, enfim expressões de desajustes do médium.
Além disso, soma-se a esse fato as manifestações mistas, ou parcialmente anÍmicas, quando o médium não consegue uma interação completa, introduz suas próprias idéias e automatismos da personalidade.

Um grande problema é a falta de afinidade vibratória entre o médium e o Espírito, necessárias e indispensáveis para que o fenômeno mediúnico se processe. Este assunto é tratado por KARDEC (Livro dos Médiuns, item 223, pergunta 7):” O Espírito encarnado no médium exerce alguma influência sobre as comunicações que deva transmitir provindas de outros Espíritos? Exerce, porquanto se estes não lhe são simpáticos pode ele alterar-lhes as respostas e assimilá-las às suas próprias idéias e pendores.” (p.270) Esta simpatia não é só afinidade psicológica e afetiva, mas sobretudo da ” …organização perispiritual que determinam a sintonia vibratória responsável pelo fenômeno mediúnico.” (MIRANDA, 1995 p. 86)

De outras vezes, há um mecanismo de ssociação de idéias, em que o médium decodifica as mensagens e registra pensamentos, por meio de associações anímicas, peculiares às suas experiências vividas. Outrossim, há momentos de interferências anímicas quando provocadas por interrupção de sintonia. Para se compreender melhor o problema do animismo, faz-se necessário, melhor entendimento do papel do médium nas comunicações. Sabendo-se que ele é o intérprete, não somente repetindo-as, mas absorvendo as idéias em seu íntimo e devolvendo-as representadas por seu estilo, vocabulário, emoções e acervo cultural.

O autor afirma, que é comum no início do exercício mediúnico, os médiuns não saberem determinar corretamente, a fronteira entre o seu próprio pensamento e dos comunicantes, provocando insegurança. Sendo assim, torna-se necessário, para se alcançar o estado mediúnico transitar pelo anímico. ” Espera-se que os médiuns atuantes compreendam sem demora este processo de transitar do anímico para o mediúnico, desemperrando as engrenagens medianímicas pelo exercício disciplinado e constante…” (MIRANDA, 1995 p. 92)

Alguns obstáculos aparecem e traduzem-se na comunicação mediúnica, em função do desequilíbrio emocional do médium, provocando um animismo-desajuste. Daí a necessidade de uma vivência espírita, no que diz respeito, a hábitos salutares e a um comprometimento que vão sensibilizar, evitando os chamados ruídos na comunicação mediúnica.

Para TEIXEIRA (1995) todo fenômeno mediúnico sofre a presença do fator anímico, pois o comunicante espiritual utiliza os elementos biológicos, psicológicos e culturais do médium. No campo mediúnico, a mensagem transmitida sempre apresentará os recursos psíquicos e culturais do médium e por esta razão, o exercício sistemático de esclarecimento e os valores morais contribuirão para o êxito da atividade mediúnica.

Quando o médium empresta os órgãos físicos, este intercâmbio se dará através de suas potencialidades, mas ao atingir a área mediúnica intelectual, estabelece-se um conflito, sobre até que ponto o anímico vai alterar a mensagem sutil, telepática de mente a mente.

REFERÊNCIAS

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos, 83 ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira – FEB, 2002

O Livro dos Médiuns, 71 ed. Brsília: Fedração Espírita Brasileira – FEB, 2003

MIRANDA, M. P. Vivência Mediúnica -Projeto, Salvador: Livraria Espírita Alvorada, 1995

PERALVA, M. Estudando a Mediunidade, 5 ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira – FEB, 1971

TEIXEIRA, J. R. Correnteza de Luz, (pelo espírito Camilo). Psicografado pelo médium J. Raul Teixeira. Rio de Janeiro: Fráter, 1995

XAVIER, F. C. Mecanismos da Mediunidade, (pelo espírito André Luiz). Psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier. 11 ed. Distrito Federal: Federação Espírita Brasileira – FEB, 1990

REGINA MARIA PEREIRA AUST
TEÓLOGA graduada pela Faculdade Doutor Leocádio
José Correia (FALEC)

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