O século XIX ficou conhecido como “ o século do materialismo”  com o empobrecimento do valor da vida do homem e o final do século “ um grande tédio que oprimia as almas” .

Inaugurando a nova mística científica, a reconciliação entre ciência e religião, anunciando que o sagrado está de volta no século XX.

A partir da década de 60 surgem novas e estranhas seitas causando uma veradeira orgia mística. Agora deseja-se um ecumenismo, não uma concordância religiosa, mas uma união e um fortalecimento no que é comum, respeitando as diferenças. Na carta aos hebreus “ Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem”. A fé é a medida e a essência da religião.

A nova era deverá ser do bem comum, da solidariedade. Nos dias atuais nota-se a sensibilidade ao espiritual e como disse André Malraux: “ O século XXI parece-me, será necessariamente o século do espírito “.

No interesse da educação, devemos trazer à reflexão, o sentido da vida à luz da razão, da ciência e da transcendência. Apesar de sofrermos no último século, sempre haverá lições a serem aprendidas e muito amadurecimento. A educação, a família, as escolas pedem uma pedagogia voltada para o crescimento espiritual.

Uma educação espiritualizada, aberta a conviver com os diferentes é um novo desafio aos educadores. O que se propõe é uma educação com amplitude, um processo de preparação ao educando e que ele veja na morte o renascer para a Dimensão Maior. Este amplo processo não envolverá só professores, mas os pais e toda sociedade.

Sendo assim, na família que deverá começar, pois é onde os primeiros valores são aprendidos, mas devem vir acompanhados de afeto. Entretanto, na escola deve continuar esta combinação acrescentando o conhecimento e assim progressivamente nos ambientes de vida da pessoa.

A educação possue um amplo processo porque tem que se levar em conta o lugar e o momento da sociedade em questão, indicando forma de humanidade para o educando atingir a maturidade e a cidadania.

Dora Incontri diz: “ A educação sem um propósito de transcendência é uma ideia vazia e estreita e pode sempre se tornar instrumento de manipulação dos poderes sociais “.

Os educadores tem o dever de intervir na vida dos educandos, sempre respeitando o espaço emocional deles. Além disso, o educador ao conseguir penetrar o íntimo do educando  de comum acordo, acontecerá o verdadeiro encontro humano.

Não devemos achar que a tarefa é fácil, pois a educação anda doente, deficiente na maioria das instituições. O homem se distanciou de Deus e caiu no materialismo, resultando uma vida solitária e vazia. O século XXI veio trazendo o individualismo, a fome, a violência, o desamor, o consumismo e sem qualidades morais.

Neste mundo atual o ter vale mais que o ser. Estamos numa crise, mas é tempo de mudanças para continuar a evolução histórica. Chega de ficar esperando atitudes de governo que a sociedade precisa, mas sim procurar envolvimento comunitário na educação escolar.

O homem é um animal que nasceu não somente para coexistir com outros, mas para conviver e ter uma relação com o outro. É nesta convivência que vai implicar uma educação para realização e para a paz.

Como diz Heráclito: “ O conflito é o pai de todas as coisas “. Nesta visão, a natureza teve sua reorganização com pseudos fenômenos de destruição. A partir daí, o homem criou poderes sobre as forças da natureza e hoje este poder destrutivo ultrapassou seus próprios poderes.

A história nos mostra que junto com o sagrado, a violência está contida na natureza íntima humana. Não é uma tarefa fácil tentar pacificar o homem, pois na sua cultura aprendeu a lutar por suas conquistas, achando que existe uma “guerra justa” .

Assim sendo, para provocar a paz teremos que convocar a sociedade e educar seus filhos. Como diz Pierre Weil: …a paz é ao mesmo tempo felicidade interior, harmonia social e relação equilibrada com o meio ambiente.

Nesta dimensão de formação individual cabe ao professor fazer com que o aluno se questione, filosofe, raciocine, faça perguntas, para que procure encontrar a profundidade do seu ser. Embora esta busca possa significar angústia e inquietude, é nesta situação que será burilado o Ser futuro.

A atividade escolar não significa, portanto, mera ação exterior, como pretende certos métodos e escolas, mas um meio para se chegar a uma modalidade de espírito, a uma mentalidade. O educador poderá utilizá-la com a finalidade de fazer de seus alunos seres conscientes e responsáveis.

O educador não é simples aplicador de um método ou uma técnica, mas aquele que leva o aluno à descoberta de si mesmo. Estando envolvido com os sentimentos do educando, o conhecimento não é um fim em si, mas um meio de cultivar o indivíduo total, cérebro e coração.

Teilhard de Chardin mostra…que o espiritualista verdadeiro é aquele que tudo integra em Deus e consegue perceber a espiritualidade da matéria.

Deus está em cada manifestação da Natureza e é a inteligência criadora do ser humano. Assim sendo, teremos que ter professores educadores comprometidos em formar seres humanos melhores. O verdadeiro educador com Deus no coração saberá passar esta espiritualidade, este sentimento que não é ensinado, mas sim sentido e vivenciado.

 

 

Regina Maria Pereira Aust

Teóloga Espírita

Anúncios