Fui recentemente entrevistada pela jornalista Renata Fernandes do site Diário Web. Por motivo desconhecido a entrevista não foi publicada corretamente. Para não ficar equívocos, resolvi publicá-la na íntegra no meu blog:

RF: Na sua opinião, qual a importância da ciência justificar as manifestações de contato com espíritos?

RA: A Doutrina dos Espíritos está fundamentada na Ciência, na Filosofia e na Religião. Portanto, tudo deve ser analisado e passado pelo crivo da razão. É importante usar a transdisciplinaridade (ocupando várias disciplinas), para explicações dos fenômenos mediúnicos autênticos. A Ciência Espírita é a experiência espírita colocada e estruturada na metodologia científica. Sendo assim, trará respostas, surgirão novas concepções, colocando o fenômeno como algo natural, tirando-lhe o rótulo de “ sobrenatural” .

 
RF: Qual a influência psicológica sobre o que de fato seria o dom da mediunidade e o que de fato seria o dom da mediunidade e o que as pessoas acreditam ser esse dom?

RA: A mediunidade não é graça ou poder, dados por divindades, mas o resultado de todas as experiências adquiridas no processo reencarnatório. É habilidade e capacidade do espírito. Analisando uma “manifestação”, e se o médium espírita não tiver um equilíbrio bio-físico-psicossocial, ele colocará em evidência os seus próprios distúrbios psíquicos,  desequilíbrios emocionais, do seu próprio inconsciente. Assim, acreditam todos tratar-se de uma real manifestação espírita, e não passará de um processo de desajuste psicológico.

  
RF: Como as pessoas poderiam saber ou distinguir quem, de fato, tem dom de receber mensagens ou espíritos e quem é charlatão?

RA: O médium espírita que se prontifica a exercitar a sua mediunidade, quer dizer o mediunato espírita (é a vivência coerente com os princípios da Doutrina Espírita, o compromisso e a responsabilidade de ser espírita), deverá primeiramente ter um comportamento ético-moral, sempre pautando sua vida nos códigos cristãos, materializado no amor de Jesus Cristo. Além do caráter do médium, deverão sempre ser analisadas as mensagens mediúnicas. Pois, elas deverão conter os valores universais( Deus, Jesus, o amor, a caridade, etc.)

 

RF: Qual a importância e a diferença em acreditar em Deus ou em espíritos?

RA:Não se deve comparar Deus e os espíritos. Deus é o fundamento do fundamento da vida. Deus é. Portanto, Ele está fora de avaliação e comparação. O espírito nada mais é do que aquele que esteve encarnado um dia. O que muda é a perspectiva de tempo e espaço. Entretanto, Deus é a expressão e a dinâmica da vida e quando me alcanço como criatura, não há mais abismo entre o Creador e a criatura.
 

RF: A “crença” nos espíritos desencarnados teria alguma relação com a “crença” de católicos com os santos?

RA: Para efeito de comparação, os santos da Igreja Católica foram médiuns de efeitos físicos em vida na Terra. Alguns depois do desencarne teriam se materializado com o ectoplasma das próprias pessoas que assistiram esses episódios. Alguns desses santos tiveram uma vida de doação para com o próximo que é um caminho para a evolução.

 

RF: Os espíritas dizem que todas as pessoas têm algum grau de mediunidade. Isso é verdade? Por quê? Como alguém que não acredita deve lidar com isso? E como alguém que acredita pode desenvolvê-lo?

RA: A Doutrina dos Espíritos diz que todos somos médiuns em potencial. Como um dos princípios da Doutrina é o livre-arbítrio, a pessoa terá a liberdade de escolha. Aquele que deseja exercitar a mediunidade deverá educá-la para beneficiar o próximo. Mas, quem não acredita, basta ser um homem de bem e viver uma vida cristã, numa vibração de amor, contribuindo assim para melhorar a sociedade em que vive.

 

RF: Acredita que o cérebro dos médiuns é diferente dos demais, como apontam alguns cientistas?

RA: Existem vários estudos de cientistas sobre o cérebro e como determinadas áreas se modificam, durante episódios de prece, fenômenos de telepatia e até durante manifestações mediúnicas. Acredito que essa alteração física comprovada materialmente através de exames, já é suficiente para demonstrar capacidades e habilidades de médiuns.

 

RF: Há relação entre sonhos e mediunidade? Qual e por quê?

RA: Geralmente, sonhos refletem o nosso psiquismo, porém existem outros que revelam a emancipação parcial do espírito. Todos temos esta capacidade, mas alguns possuem mais facilidade de usufruir desta liberdade e conseguem acessar o mundo espiritual.

 

RF: Qual a credibilidade das cirurgias espirituais? Acredita que ela esteja fundamentada ou tenha relação com a fé?

RA: O médium no seu plano reencarnatório, que se propõe auxiliar o próximo através de cirurgias espirituais, aceita como tarefa missionária. Ele não poderá deixar que o orgulho, a vaidade, o poder, interrompam a sintonia com a equipe de espíritos que o auxiliam.

 

RF: Quem tem o dom da mediunidade e não a usa pode sofrer conseqüências espirituais?

RA: Numa nova visão contextualizada, a mediunidade deixa de ser vista, apenas como útil para fenômenos e manifestações. Ela tem uma abordagem mais ampla fazendo alcance social. Assim sendo, fazer mediunidade é vivenciar uma mudança de dentro para fora com a responsabilidade de educar, aconselhar, exemplificando com humildade, sem perder o raciocínio crítico.
O Espiritismo é a manifestação da Doutrina Espírita e tem por finalidade o aperfeiçoamento do ser humano. Desse modo, o médium espírita deverá ter um treinamento pessoal, começando pelo autoconhecimento, disciplina pessoal, tendo a consciência do alcance dos seus atos e opiniões.

 

Regina Maria Pereira Aust
Graduada em Teologia Espírita pela Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC), estudiosa e pesquisadora do Espiritismo na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE), Secretária da Associação Brasileira de Teólogos Espíritas (ABRATE)

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